Blog da responsabilidade de Nelson Correia, Advogado, Vereador na Câmara Municipal de Penafiel, deputado na IX Legislatura e militante do Partido Socialista
Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008
Estados de espírito

 

Por força da minha actividade profissional sou obrigado a calcorrear muitos dos concelhos que integram a novel Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa e apercebo-me das dificuldades que as famílias que aqui vivem têm para suportar os encargos com a sua vida corrente.
Os empréstimos contraídos nos anos dourados dos finais do século passado e do inicio do presente milénio, são agora, com o aumento das taxas de juros que, apesar das sucessivas descidas da Euribor, teimam em aumentar, um fardo insuportável.
As insolvências das empresas e das famílias estão na ordem do dia. São já muitos e cada vez mais, os que não conseguindo cumprir com as amortizações mensais dos empréstimos contraídos se vêem confrontados com as visitas de solicitadores de execução e com penhoras dos bens que ganharam no esforço de anos de trabalho.
È sabido que a situação económica da vizinha Espanha não está de feição à manutenção dos postos de trabalho daqueles que ali procuraram o sustento que aqui lhes faltava.
È previsível por isso que o desemprego, aqui já bastante significativo, tenda a aumentar, com o regresso daqueles que em Espanha deixaram de ter trabalho.
A construção civil que de “mala e cuia” tinha partido para as terras de Espanha, esgotado o maná das obras que ali existia, está de regresso ao solo pátrio e aqui, sem o incremento das obras públicas, agoniza numa paralisia asfixiante e potencialmente mortal que só a esperança nas obras do novo ano, por ser o de todas as eleições, as agarra à sobrevivência e faz persistir numa actividade que parece ter-se esgotado.
A dinamização da nossa economia passa, pois, pela capacidade que o sector público tiver para lançar um conjunto significativo de investimentos capazes de alterar este quadro negro em que as nossas empresas estão mergulhadas.
 
Aqui, na nossa região, a esperança está na actividade das autarquias e na sua capacidade de aproveitar os apoios comunitários para lançarem os investimentos capazes de retirarem as empresas de letargia em que mergulharam.
 Afinal, foi muito por causa do Quadro Comunitário de Apoio e pouco, por razões de melhor organização do território que a novel Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa se constituiu.
 
 
Foi neste estado de espírito, à espera de melhores dias, que o país assistiu às inesperadas afirmações e receitas para os nossos problemas colectivos, da cada vez mais singular personagem em que se está a revelar a líder do PSD.
Depois de proclamar que não havia dinheiro para nada, de se colar às manifestações de interesses corporativos imobilistas para quem qualquer reforma é sempre a fonte de todos os males, a Dr.ª Manuela Ferreira Leite, lembrou-se de recorrer à estafada tirada que aponta a democracia como a razão de todos os males.
 Atreveu-se a Dr.ª Ferreira Leite, a dizer, faltando descortinar se em tom satírico ou sério, sendo que nela é sempre muito difícil descortinar qualquer outro sentido que não seja a encarnação da má disposição e de todos os males do mundo que, “a bem” de Portugal, a democracia deveria ser suspensa, pelo menos por seis meses, o tempo que a Dr.ª Ferreira Leite reputa necessário para se fazerem as reformas necessárias, sem o enfado de manifestações.
 
O problema é que a Dr.ª Ferreira Leite, cada vez se afunda na única qualidade que lhe era reconhecida quando na situação prévia à de líder.
Chegada a líder da oposição, a sua credibilidade vai-se esgotando à medida que os seus intérpretes autênticos sentem necessidade de virem a público explicar o que senhora quis dizer, quando esteve calada, o que não disse e quis dizer ou o que disse mas não quis dizer, quando falou.
Enfim, uma confusão e uma valente trapalhada, até parece que a senhora é estrangeira.
E quando o País mais precisa de uma oposição credível que faça o governo pensar antes de agir e repensar quando não age bem, o maior partido da oposição perde-se com a interpretação dos silêncios e sentidos das afirmações da Dr.ª Ferreira Leite.
 
Por isso, no PSD em vez de se fazer oposição ao Governo, já se pensa nas soluções de liderança pós 2009.
É pena, porque assim quem fica a perder somos todos nós.
Este PSD só serve para acentuar o estado de depressão colectiva, na certeza de que esta oposição é lura donde nunca sairá coelho.
As outras oposições, as da esquerda alegrista, bloquista ou comunista, são boas para quem entenda que o país não deve ser governado.
Esses, pelo menos, assumem que essa coisa de governar é uma verdadeira e grande seca.
Vivem de dizer mal.
E parece que é só isso que sabem fazer.
O problema é que o País não pode ficar parado à espera que os intérpretes da Dr.ª Ferreira Leite acertem no que a senhora afinal pensa, nem agarrados à demagogia dos que pedem sol na eira e chuva no nabal.


publicado por pena-fiel às 23:15
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