Blog da responsabilidade de Nelson Correia, Advogado, Vereador na Câmara Municipal de Penafiel, deputado na IX Legislatura e militante do Partido Socialista
Segunda-feira, 16 de Julho de 2007
Lisboa, quem perdeu?

As eleições intercalares para a Câmara Municipal de Lisboa tiveram dois derrotados.
O primeiro é o sistema político que aos 33 anos dá sinais de cansado, a precisar de reforma urgente.
Os mais de 60% de abstencionistas, demonstram o alheamento das pessoas da política.
Numa eleição disputada a doze, onde para além dos partidos políticos, haviam duas candidaturas independentes, a abstenção foi a grande vencedora.
O discurso anti-partidos adoptado pelas candidaturas independentes, colheu significativos apoios, mas apenas entre os mobilizados para a política. Nos outros, nos que preferem a bola, a praia ou os centros comerciais, não teve qualquer influência. Não conseguiu despertar para o dever cívico os que persistem em manterem-se indiferentes perante a res publica.
A vitimização de Carmona, ou o discurso anti-sistema de Roseta, não levou um único Lisboeta às mesas de voto!
Continuaram a deixar em mãos alheias o destino colectivo que também é deles.
Com independentes ou sem eles, os lisboetas, com os demais eleitores portugueses, continuam e cada vez mais, com a certeza que a politica é coisa só de políticos. Sinonimo, a mais das vezes, de tachos, de favores! Coisa distante, ao alcance, apenas de alguns! Coisa que não vale a pena! Os eleitores parecem ter da politica a ideia que ela é como o totoloto: todos podem jogar, mas a poucos, a quase nenhuns, aproveita.
Por isso, não perdem tempo com eleições…Mal por mal, antes apostar no totoloto! Aqui, o ganhar é deles, acolá, é sempre dos outros!...
Parece que este é o pensamento dominante! A amostra de Lisboa assim o assinala.

Esta abstenção, no quadro de candidaturas que a eleição teve, demonstra que muito mais que a crise de confiança nos partidos, de que tanto se fala, evidencia uma séria e grave crise de valores. Revela a predisposição dos portugueses para a irresponsabilidade política. Demonstra a ideia, bem portuguesa, de se achar que os problemas colectivos ou se resolvem por si, ou por alguém, por quem não se nutre grande simpatia, o homem politico!
A indiferença dos lisboetas pela coisa pública, coloca em crise, antes de mais, o exercício da cidadania, condição essencial a uma efectiva democracia que não se baste com o formalismo dos direitos consagrados.

A democracia que alguns apregoam estar ameaçada, apontando como causa, uma crise de liberdade, está em perigo, sim, mas pela indiferença dos cidadãos perante a política que as eleições de Lisboa colocaram a níveis nunca antes vistos.

Com uma abstenção de mais 60% é a democracia, a grande derrotada destas eleições.

As derrotas dos partidos da direita, do PSD e do CDS, dos seus líders e candidatos, é coisa menor, mesmo com a dimensão trágica que para eles teve. Mas coisa sem importância, perante o tamanho da indiferença dos lisboetas pelo exercício do seu direito/dever de votar.
Naturalmente que estas eleições tiveram vencedores: António Costa e o PS.
Só que há vitórias que têm um sabor amargo! Ganhar como uma abstenção de mais de 60%, é ganhar, mas com um sabor bem diferente de ganhar com uma participação eleitoral de mais de 60%...
O PS e António Costa sabem-no, e por isso a noite eleitoral de domingo não teve festa.
Com mais de 60% de abstenção, nada havia para festejar...

Antes de mais, António Costa tem a missão e a obrigação, de reconciliar os lisboetas com a democracia e com a participação cívica.
Oxalá o consiga.
Portugal ficará mais rico, se isso acontecer.
Como mais rico ficará, se a humilhação da derrota eleitoral da direita, a fizer tornar-se na oposição responsável ao governo da República que não tem sido.


publicado por pena-fiel às 22:43
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