Blog da responsabilidade de Nelson Correia, Advogado, Vereador na Câmara Municipal de Penafiel, deputado na IX Legislatura e militante do Partido Socialista
Sexta-feira, 7 de Março de 2008
Educação, apenas mais um a falar...
Falar desta Ministra da Educação, é como falar de uma roseira em flor. Obrigatoriamente deve-se falar da beleza das suas rosas, mas deve-se completar com a perigosidade dos seus espinhos. Ou seja ao falar desta Ministra da Educação, deve-se obrigatoriamente referir as suas políticas de melhoramento do sistema de ensino e de promoção de alguma qualidade e inclusão. Mas também, deve-se falar das opções que alimentaram uma autêntica revolta de classe.

Deve-se elogiar a escola do 1º ciclo a tempo inteiro, com a Língua Inglesa, embora existam algumas arestas que necessitem de ser corrigidas, deve-se elogiar os concursos válidos para três anos, que conferiu alguma estabilidade ao corpo docente, deve-se elogiar a criação dos cursos de vertente profissional nas escolas secundárias cujo alcance desta medida permitiu pela primeira vez em 30 anos, que aumentasse o número de alunos inscritos nas escolas e que se diminuisse o abandono escolar. Neste caso, não vou atrás de algumas vozes que gritam o facilitismo aos quatro ventos. Numa reflexão bastante rápida e superficial, consegui enumerar algumas políticas que considero positivas para a Educação. É um exercício fácil de se fazer, que proporciona a lembrança de mais medidas positivas, como o alargamento da rede do pré-escolar, e a criação das Novas Oportunidades.

No entanto, qualquer reforma na Educação, deve ser acompanhada pelos principais dinamizadores das Escolas, os professores. E o regime dos professores era algo bastante injusto para alguns, pois ser bom professor é bastante desgastante e trabalhoso e ser mau professor nem por isso. E o que se passava era que, quer bons professores e maus professores seguiam na carreira, embora, claro a sua avaliação subjectiva era bastante diferente. Este facto tornou urgente a criação de um sistema de avaliação do desempenho dos professores que fosse justo. E passaram-se cerca de 3 anos desde que as progressões foram congeladas e passados esses três anos em que foi prometido um sistema de avaliação, surgiu... nada.

Ou melhor, nada nao. Surgiu um sistema de avaliação, extremamente burucrático, injusto, provocador de mau estar, dependente de condicionantes em que o professor não tem muita influência. Surgiu um concurso para professor titular, para diferenciar os professores titulares dos "outros" e esse mesmo concurso assentou sobre pressupostos pouco correctos e pouco coerentes, prejudicando muitos que ficaram na classe dos "outros". Daí que se entenda um pouco a revolta dos professores.

Mas tal história não acaba por aqui. O novo modelo de gestão escolar... que cria uma figura de director, com amplos poderes, lembrando um pouco o sistema anterior. Cria um órgão com poderes de decisão , em que os principais dinamizadores do espaço escolar e do processo de ensino-aprendizagem deixam de estar em maioria. Dizem que a escola tem de se abrir ao exterior, aos encarregados de educação, à autarquia, às empresas. Mas as escola, através das Assembleias Escolares já faziam tal abertura. Dizem que as escolas não são coutadas dos professores. Mas são os professores os principais responsáveis pelas tarefas de uma escola. Porque não, serem os professores os gestores de tais tarefas e serem os mesmos a elegerem os Concelhos Executivos, dando legitimidade democrática aos mesmos.

No entanto, os professores, no Programa Prós e Contras, perderam uma oportunidade de ouro em tentar capitalizar apoios. Os professores oradores no programa referido, deixaram apenas extravazar as suas frustrações, perdendo o sendo de racionalidade nas críticas feitas à Ministra da Educação.
Defendo a manutenção desta Ministra, defendo também uma maior abertura da sua equipa para o diálogo. E sobretudo defendo, uma maior participação dos professores nas suas estruturas de negociação, os sindicatos, pois a criação de plataformas de professores revoltados só contribui para o extremar de posições e opiniões.

Este artigo foi escrito tendo em conta a condição de Militante do PS, de apoiante do Governo e de antigo professor, que já não exerce, mas que sempre se irá considerar um professor.
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publicado por pena-fiel às 21:40
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2 comentários:
De Douro Inteiro a 10 de Março de 2008 às 15:30
Mantenho um olhar atento sobre as dinâmicas do mundo que me rodeia. Compreendendo, ou pelo menos, tentando em esforço entender quem protesta, sou obrigado a englobar todas as actividades públicas e privadas onde se procede aos reajustamentos necessários de modo a actualizar e optimizar os métodos e relações de trabalho.
Concordo com os fins, duvido dos meios mas julgo que há sempre maneira de proceder às devidas correcções nos mesmos.
O amanhã é já a li, temos de estar preparados…


De Gato que fala a 11 de Março de 2008 às 00:07
Nim, nim, nim, nim. Que raio de artigo! Por acaso sabes como estão a correr as famosas AEC? Sabes o que se faz nas aulas de Inglês, de Música e de Educação Física? Não, não sabes! Repetes as banalidades que os responsáveis ministeriais propagam sobre algumas medidas de política educativa, sem te preocupares com a avaliação da sua implementação. Ensino profissional?... Vê-se mesmo que estás a leste do que se passa nas escolas. E este é o vosso problema. Falam da "bancada" armados em "treinadores de bancada". O que está em causa é o futuro de Portugal, é a destruição da escola pública portuguesa ainda que de forma disfarçada e com grandes tiradas em defesa do "serviço público de educação". A causa da revolta dos professores não é apenas a avaliação, já que o modelo de avaliação de desempenho desenhado pelo Ministério da Educação de científico e exequível nada tem. A causa da revolta é a conjugação de uma multiplicidade de factores, relacionados com o conjunto de medidas avulsas, apresentadas como reformas, que o ME começou a implementar e, também, uma questão de ATITUDE! O ME, desde o início de funções da actual equipa, considerou que os professores eram um problema e não a parte fundamental da solução. Vai daí desencadeou campanhas pérfidas e mentirosas contra os professores, servindo-se fundamentalmente dos órgãos de comunicação social controlados pela ControlInveste e ainda dos órgão de comunicação públicos. Denegriram a imagem social dos professores, atacaram de tal modo os professores com campanhas de propaganda negativa que chegaram ao ponto de lhes atribuir a responsabilidade de todos os problemas do sistema educativo. O horror da campanha chegou ao ponto de se afirmar, como ainda recentemente o fez José Lelo, que a educação em Portugal estava controlada pela FENPROF, ou seja pelos comunistas, ou seja os ministros da Educação do governo de António Guterres eram dirigidos pela Fenprof!... Que estupidez! … Havia medidas políticas que podiam e deviam ser implementadas com o apoio empenhado dos professores. Mas o ME, partindo do pressuposto errado que os professores são todos uns mandriões e parasitas, preferiu implementar as medidas com uma estratégia errada, traduzida na máxima “perdi os professores mas ganhei os pais”. A grandiosa marcha da indignação, foi isso mesmo: INDIGNAÇÂO!. Não foi apenas um protesto contra o modelo “científico” da avaliação de desempenho, como alguns comentadores, assim como a ministra e o primeiro-ministro José Sócrates, o querem fazer crer. A arrogância e o autismo político do primeiro-ministro e da ministra da educação é a causa primeira do agravamento da crise de sistema educativo, crise que já vem de longe. O sistema educativo entrou em colapso há já alguns anos, transformando-se progressivamente numa fraude nacional. Nenhum cidadão português deve ficar indiferente ao que se está a passar no sistema educativo. Perceber o que se passa, exigir que se fale verdade, não se deixar embalar pelo canto do vigário político, mais do que um direito é um dever. E para os que são militantes do PS, é bom que escolham claramente a sua trincheira que só pode ser a trincheira da democracia e do socialismo democrático e da verdade; é bom que sejam MILITANTES, que cumpram e façam cumprir os princípios programáticos do PS e os seus estatutos. Tenho confiança que saberás escolher a trincheira correcta. Agora já não é tempo de Nims!... Ah… Já estás a ver quem sou eu. É fácil, não é?
Participei na marcha da indignação e não sou comunista.
Gato que fala!


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